Você escreveu seu livro, enviou às editoras e foi aprovado? PARABÉNS!

Ou essa hora ainda não chegou? Bom, ela vai chegar! E, quando chegar, será a hora de tomar a importante decisão: assinar ou não assinar o contrato? Hoje, você saberá o que você deve levar em conta na hora de tomar essa decisão e o GRANDE ERRO com o qual você deve tomar cuidado (eu mesma estive bem próxima de cometê-lo).

Começarei o tópico com a pergunta enviada pela Geyse Lorraine:

“Samanta, qual a sua opinião sobre publicação paga? O que você sugere a um novo escritor: esperar um contrato não pago ou pagar pela publicação para talvez conseguir depois um contrato bom? As editoras cobram que a gente tenha um nome, mas como construir o nome se a gente não tem oportunidade?”

Esse é o desafio de qualquer carreira: para conseguir um bom emprego, pedem que você tenha experiência. Mas como conseguir essa experiência sem que ninguém abra as portas para você começar? Um desafio, não é? No mercado literário, não seria diferente!

Como vimos no post #4 dessa série, há diversas formas de construir seu nome e divulgar suas ideias sem necessariamente ter que publicar um livro. Plataformas online, páginas em redes sociais, blogs, vlogs… A internet traz diversas ferramentas para conquistarmos um público fiel, que é um dos pontos nos quais as editoras prestam atenção. É por isso que muitos Youtubers são contratados; não porque já tinham outro livro de sucesso antes, mas porque têm um público sólido e fiel ao seu trabalho!

Imaginemos que você está com um contrato de publicação em mãos. Para aceitar ou não esse contrato, você deve levar em conta seus objetivos no mercado literário.

Você tem a intenção de publicar apenas para realizar um desejo, e que sua família e amigos possam ler? Pretende construir uma carreira para viver disso um dia? Com essa consciência, você poderá analisar se aquele contrato é o suficiente para o que você quer agora, ou um bom primeiro (ou segundo, ou terceiro…) passo em sua busca.

Aí, emendamos a pergunta enviada pela Beatriz Moura:

“Começar a carreira de escritor por uma editora que não é muito conhecida é um passo errado?”

Em primeiro lugar: eu JAMAIS recomendaria a um escritor atolar-se em dívidas para pagar por uma publicação caríssima que ele não tenha condições de bancar no momento. Os riscos são altos e, por mais que você esteja disposto a trabalhar duro, existe o risco de dar certo e o de não dar (assim como qualquer outro investimento).

Quando o dinheiro entrar na jogada, deixe um pouco de lado aquele escritor sonhador e traga à tona o negociante sensato, que sabe seus limites financeiros e colocará na ponta do lápis o que vale a pena ou não investir. Se o valor é alto e você pode bancar, quer arriscar, perfeito! Se não pode, existem inúmeras outras formas de publicação. Lembre-se de que, em qualquer carreira, você correria riscos ao investir em alguma coisa, na compra de uma franquia etc. Mas cuidado com a empolgação e com a ansiedade! Não saia assinando o primeiro contrato que aparecer só para ver seu livro publicado. Se a proposta causou insegurança, seja por questões financeiras ou qualquer outra, continue buscando. Se essa proposta veio, outras virão também!

Eu mesma comecei minha carreira com um investimento financeiro. E não foi baixo. Se quiser conhecer minha trajetória pessoal e se inspirar em meus erros e acertos, assista o final do vídeo desse mesmo post!

Então, o que analisar na hora de decidir se deve ou não assinar um contrato?

  • Tiragem: quantidade de livros impressos em uma edição. É uma quantidade suficiente para suas estratégias e objetivos? É baixa demais? É alta demais para você lidar agora?
  • Distribuição: pontos de venda para os quais os livros serão enviados. Será apenas no site da editora? Haverá somente a cota do autor para venda própria? Seu livro estará em livrarias de todo o país? Está legal para você?
  • Direitos autorais: pagamento do autor por livro vendido. Normalmente, o autor recebe uma porcentagem (geralmente em torno de 10%) sobre o preço de capa. Isso está esclarecido no contrato? Você concorda?
  • Idoneidade da editora: a empresa é confiável? Tem nome limpo no mercado? Será que não vale a pena pesquisar o CNPJ e consultar outros autores que publicam ou publicaram por ela, para saber mais a respeito? Você está prestes a assinar um contrato com ela.
  • Qualidade do produto final: como é o trabalho de revisão? Diagramação? A qualidade do livro impresso? O melhor jeito de se medir isso é comprando livros dessa editora para ler e também ler resenhas de bons blogueiros literários. Nós, como leitores, sabemos que um livro cheio de falhas queima o filme do autor…
  • Investimentos no autor: a editora tem algum departamento de marketing, assessoria de imprensa etc.? Existe algum investimento na imagem do autor, em uma turnê de lançamento? Algumas trabalham com isso, outras não, mas é importante você saber de antemão para saber com que tipo de assessoria contar após o lançamento, e o que precisará ser providenciado por você.
  • Obrigações do autor e da editora: quais as responsabilidades de cada parte? O que você pode e não pode fazer? O que você DEVE e não deve fazer? E a editora?
  • Cláusulas de rescisão de contrato: como funciona caso você queira encerrar o contrato? E se a editora quiser? Quais as condições para que isso aconteça e as consequências para cada parte? Há multa?
  • - Exclusividade: o contrato vale apenas para esse livro? Por quantos anos? E se você receber propostas de outras editoras e resolver mudar, será possível? Terá multa? Às vezes, estamos tão empolgados com a possibilidade de publicar que nos esquecemos de pensar no futuro e nas maravilhosas possibilidades que ele nos guarda!

Se tiver dúvidas, consulte um advogado. É bastante recomendável.

E, afinal, qual é o GRANDE ERRO que as pessoas cometem com muita frequência nesse mercado? Ele é: pensar que “apenas publicar basta”. E que, depois de publicar seu livro, magicamente tudo vai conspirar para o resto acontecer.

Atenção para essa frase: SER ESCRITOR É MUITO MAIS QUE PUBLICAR!

Cuidado para “apenas querer publicar” o seu livro, sem levar em conta a marca que ele vai carregar, o trabalho de revisão, de diagramação, a distribuição, a qualidade do material que vai levar seu nome. Pode se transformar, futuramente, em um grande arrependimento. Eu mesma, quando era mais nova, sonhava com o dia em que receberia o “sim” de uma editora. Era só o que eu queria. Nem parava para pensar que, por trás desse “sim” (e, principalmente, do MEU sim) havia muito a ser analisado.

No final do vídeo que gravei sobre esse mesmo assunto, eu conto sobre minha experiência pessoal desde a primeira publicação, o investimento que fiz ao assinar uma publicação paga e que lições aprendi. Confira:

Na próxima terça-feira (07/06/16), conheça qual o fator chave do seu próprio comportamento que pode estar ajudando (ou impedindo) o caminho dos seus sonhos para que se realizem.

Espero que tenham gostado!

Beijos no coração,
Sam :*