Eu sei que você tem uma ideia muito legal aí, dentro da sua cabeça. Sei que você tem vontade de transformá-la em um livro. E sei que você tem enfrentado dificuldade para fazer isso acontecer. Acertei?

Se esse é seu caso, trago boas notícias a você: ACABOU! Acabou a complicação, acabou a enrolação, acabaram as desculpas. Minha missão hoje é te ensinar os 5 passos infalíveis para você começar a escrever seu livro de uma vez por todas! (a número 4, pessoalmente, é a minha favorita…)

Você pode acompanhar esse conteúdo aqui mesmo, em texto, ou no vídeo do Youtube, onde dou alguns exemplos mais práticos e respondo a algumas perguntas dos leitores no final (a sua pode estar lá!). Clique aqui para assistir ao vídeo!

Pronto para começar? Então, vamos!


 #1: Ordem ao caos!

Imagine um aquário cheio de peixes agitados. E que você precisa tirar um deles de lá. Missão chatinha, hein? Ter que achar o tal peixe no meio dos outros e, depois, ter paciência para agarrá-lo enquanto ele tenta fugir de você…

Quando você se senta para escrever, é mais ou menos isso que acontece: as ideias são como peixinhos agitados nadando aí dentro e, se não estiverem bem definidas e organizadas, pode ser difícil trazê-las para fora em forma de palavras.

Tentar escrever ideias desordenadas gera um esforço frustrante que compromete a empolgação e a energia criativa. E é justamente para evitar esse efeito desanimador que o primeiro passo para escrever um livro NÃO é abrir o editor de texto e começar o primeiro capítulo, e sim reunir e organizar as ideias. Elas estão soltas dentro da sua cabeça, como os peixinhos no aquário, e o primeiro passo é tirá-las de lá e “dar ordem ao caos”.

Como fazer isso? Simples: passe para o papel ou computador todas as ideias que você tem para a história. Cenas, falas, personagens… anote tudo! Deixe em vermelho as dúvidas ou detalhes a pensar melhor, anote tópicos para pesquisar, grife partes importantes, escreva comentários e observações. Anote tudo, até sentir que passou todas as ideias da cabeça para o papel. Esse exercício, por si só, já criará uma forte conexão entre você e a história e, ao menos para mim, é aí que várias boas ideias aparecem.

Aí, vem o próximo passo…


#2: Saiba a cor da cueca do seu personagem

Agora que você começou a reunir as ideias, identifique os personagens mais importantes para esboçar o raio-X de cada um – o que deve ir além de altura, idade, cor dos olhos e dos cabelos. Você precisa saber de onde ele veio. Para onde ele quer ir. Os sonhos, os medos, os traumas, os arrependimentos. E note que, quando digo “personagem importante”, não me refiro apenas aos protagonistas; o melhor amigo, o vilão, a amante, todos que cumpram um papel fundamental na história podem e devem ter esse detalhamento, mesmo que uns mais a fundo que outros.

Para começar, abra uma ficha técnica para cada um com nome, data de nascimento, descrição física, emocional, comportamental…

Algumas perguntas úteis que ajudarão a “humanizar” seu personagem:

  • O que ele já sofreu no passado e tem medo de passar de novo?
  • Ele tem alguma cicatriz (no corpo e na alma)?
  • No que ele acredita? (sentimentos, fé…)
  • Do que ele sente saudade?
  • Do que ele se arrepende?
  • O que ele mais ama fazer?
  • Qual o seu maior desejo?
  • Como ele gosta de se vestir?
  • O quanto ele valoriza dinheiro, família, amigos, relacionamento?
  • Quais suas preferências de cores, músicas preferidas, livros, filmes, séries, pratos?
  • Quais são os ídolos dele? Que tipo de lugar ele frequenta? Quais pessoas o influenciam?
  • Etc…

 

Esboce também a linha do tempo de cada um. Marque onde e quando ele nasceu e os acontecimentos marcantes da infância, da adolescência… Ele teve amores? Sofreu perdas? O que ele estudou? Em que trabalhou? Largou a faculdade para montar uma banda? Mudou de religião? Muitas dessas coisas nem irão aparecer na história, mas o importante é que você, o autor, conheça a alma do seu personagem. Como ele fala, como ele age, sua fé, o que faz sentido para ele… é isso que fará seu leitor se conectar a ele e reconhecê-lo sempre que ele entrar em cena. Acha que é por acaso que surgem comentários como: “Eu me identifiquei com a protagonista no primeiro capítulo…”?

O autor deve saber muito bem as palavras que coloca na boca do personagem, as roupas que ele veste, os trejeitos, as reações, o temperamento. Então, literalmente e sem exageros (só um pouquinho!), saiba a cor da cueca do seu personagem! E tenha essas anotações organizadas em fichas, com fácil acesso caso você se esqueça de algum detalhe ao longo da escrita (não é bom correr o risco de descrever olhos azuis em um capítulo, depois verdes no seguinte…).

Depois desse exercício, a empolgação que começou a sentir no passo #1 será multiplicada por dez! Quanto mais íntimo você se torna dos seus personagens, mais se apaixona por eles, mais sente vontade de contar suas histórias. E pode ter certeza de que mais ideias surgirão, nesse momento – elas vêm o tempo todo! Deixe que venham, só não se esqueça de incluir naquele “rascunhão” do passo #1.

Falando nele, é bom tê-lo por perto, porque vai precisar para a próxima etapa…


#3: Traçando o mapa do tesouro

Você tem um monte de ideias passadas a limpo e personagens bem definidos. Agora, é o momento de traçar o mapa da sua história para você não se perder dentro dela!

Sabe aquele “rascunhão” do primeiro passo? Pegue aquelas ideias e divida-as em tópicos, na ordem dos acontecimentos, criando uma sequência de começo, meio e fim. Anote também as datas de cada tópico e os lugares em que acontecem, para que você se localize na linha do tempo da história. Além disso, pesquise informações sobre os temas que você abordará (épocas, lugares, costumes, pessoas, culturas…).

Aproveite para se fazer algumas perguntas: Que mensagem quero transmitir com minha história? Que emoções e sentimentos desejo despertar? Como quero que meu personagem seja lembrado? Que surpresas quero guardar para o final? Analise se sua história está cumprindo esses papeis e, onde for preciso, mude, mexa, aprofunde.

Lembre-se também de que, embora você conheça a alma do seu personagem, seu leitor não saberá nada sobre ele, quando abrir o livro. Inclua passagens e diálogos que mostrem quem é seu personagem, o caráter, o mundo ao qual ele pertence. Uma dica preciosa do livro Os segredos dos roteiros da Disney é:

O importante não é o que o personagem diz, mas o que ele faz”.

Sua personagem ajudar uma velhinha a atravessar a rua, no caminho ao trabalho voluntário, é muito mais significativo do que ela dizer a uma amiga: “sou uma pessoa muito prestativa e generosa”.

Outra leitura altamente recomendada é A Jornada do Escritor, do Christofer Vogler, que detalha as etapas da construção de uma história (a chamada “Jornada do Herói”), bem como os arquétipos que compõem os personagens. É um ótimo meio de você organizar os acontecimentos e a trajetória do seu personagem! Funciona mais ou menos assim:

jornada do herói

(Imagem de: www.petalasdeliberdade.blogspot.com)

Agora, vem o passo que eu mais gosto…


 #4: Eleja um cúmplice (e se comprometa com ele)

Escolha alguém de confiança, que você sabe que será sincero ao opinar sobre seu trabalho e que se enquadre no público-alvo da sua história. Então, Vença a vergonha e conte a ele que você quer escrever um livro. Mesmo que se sinta inseguro, narre a sinopse com confiança, como se seu livro já estivesse aprovado na editora dos seus sonhos (enquanto VOCÊ não acreditar em seu projeto, ninguém irá!).

E agora, o ponto matador: não conte o final! Conte uma sinopse detalhada, deixe no ar algumas surpresas e termine a narração no ponto em que ele estiver mais curioso. Quando ele quiser saber o que acontece a seguir, você faz a pergunta mágica: “Quer ler?”.

Se ele não se empolgar, não tem problema. Agradeça a atenção, escolha outro cúmplice e faça tudo de novo, até encontrar alguém que fique enlouquecido para conhecer sua história! Quando o encontrar, convide-o para ser seu leitor beta, a quem você enviará cada capítulo (ou bloco de capítulos) à medida que terminar de escrevê-los.

Isso trará dois grandes benefícios: primeiro, você poderá testar, através do seu beta, as reações, opiniões e sentimentos despertados, e analisará se suas intenções estão acontecendo – além de receber sugestões. E, segundo: se você tem dificuldade de levar uma história adiante, agora você estará comprometido com alguém além de você mesmo para escrever seu livro. Mesmo que bata preguiça ou você comece a arrumar desculpas para deixar para depois, haverá alguém te cobrando para enviar logo o próximo capítulo. Acredite, ajuda muito!

E o passo final, você adivinha qual é?


 #5: Agora, sim: escrever!

Se você já passou por tentativas frustradas de começar uma história e abandonar depois de um tempo, vai perceber que, seguindo esses passos, o ato de se sentar e escrever será muito mais prazeroso e tranquilo. Você já organizou tudo, agora é só sentar-se e escrever! Como um motorista que pega estrada com a rota já traçada no mapa; ele só precisa dirigir e curtir a paisagem, pois já sabe cada curva e cada rua pelas quais irá passar. Eu garanto que as chances de você abandonar a história, dessa vez, serão muito menores.

Durante a escrita, se bater a insegurança, um fator que ajuda a saber se você está na direção certa são as respostas do seu cúmplice sobre a leitura. Ao enviar os capítulos para ele, evite mandar explicações ou comentários; a opinião dele não pode ser influenciada, se você quiser uma visão clara do que a leitura realmente desperta. Resista também ao ímpeto de argumentar ou contestar se ele não gostar de algo. Primeiro, porque ele tem que se sentir à vontade para falar bem ou mal. E, segundo: quando seu livro for publicado, você não poderá se materializar diante de cada leitor para se explicar, poderá? Assim, diante de críticas negativas, o melhor a fazer é olhar seu texto com humildade, validar se aquele comentário faz sentido e identificar onde e como você pode melhorá-lo.

Quanto mais tranquilo e livre de preocupações for o processo criativo, melhor ele fluirá. Seguir esses passos simples garante que, antes do delicioso momento de se sentar diante do computador e soltar a imaginação, você já se preveniu contra a maioria dos fatores que viriam para distraí-lo, confundi-lo e, por fim, desanimar.

Vale lembrar que essas não são técnicas avançadas de roteiro e escrita criativa, e sim passos para ajudá-lo a organizar as ideias para começar a escrever. Se você deseja se especializar, existem cursos, palestras, e livros técnicos incríveis sobre o assunto! Só tome cuidado para não cair na armadilha de estudar, estudar e não começar nunca. Coloque seu projeto em ação! Afinal, “o feito é melhor do que o perfeito”. Comece. Faça! Depois, se for preciso, você volta, revisa, corrige ou contrata ajuda profissional para isso. Mas esse é um tema para os próximos vídeos!

 

Gostou do conteúdo? Compartilhe nos comentários suas experiências e deixe perguntas para eu responder nos próximos posts da série. No vídeo do Youtube, respondi três perguntas recebidas de leitores, uma delas que pode dar a motivação que falta para você começar a escrever (além dos erros de gravação no final!). Clique aqui para assistir!

 

Beijos no coração,

Sam :*